A
pandemia de coronavírus está deixando muita gente curiosa para obras de cunho
definitivo e, se existe uma temática atraente na literatura deste século é, sem
dúvida, o apocalipse. Se for zumbi, então, nem se fala. De Stephen King a
Justin Cronin, passando pelos estreantes M. R. Carey e Hugh Howie, muitas obras
abordam as visões de fim de mundo que povoam as mentes mais criativas.
A
vontade de imaginar um fim ou um futuro distópico para o mundo não é obra
exclusiva do século XXI. Começa bem antes com obras como o desconhecido “O
último homem”, da mãe de Frankenstein, Mary Shelley.
Passa por “A
máquina do tempo”, “Alimento dos deuses” e “O país dos cegos”, todos de um dos
pais da literatura de ficção científica, H. G. Wells.
Continua com “Admirável
mundo novo”, de Aldous Huxley e “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury. Chegando,
nos anos 60, a “Laranja mecânica”, de Anthony Burguess e “Planeta dos macacos”,
de Pierre Boule.
Mas,
nunca se escreveu tanto sobre o fim dos tempos como agora... ou como nas duas
últimas décadas. O mestre Stephen King contribuiu com “Dança da morte” e
“Celular”, sendo o primeiro um dos mais volumosos trabalhos de King, com mais
de 1300 páginas. Conta a história da dizimação do mundo como conhecemos por
causa de um vírus letal, além da eterna disputa entre bem e mal no meio de todo
o caos.
Já
“Celular” não foi muito bem recebido pelos fãs. Muitos alegaram que a metáfora
dos males da tecnologia, concebida em cima de telefones móveis que transformam
pessoas em loucos furiosos, era óbvia e rasa demais.
Já
“A passagem”, de Justin Cronin, tal qual “Dança da morte” é sobre algo que dá
errado em experiências científicas que querem criar um super soldado. Para
isso, doze condenados são usados como cobaias. A obra, que tem dois outros
volumes (“Os Doze” e “A cidade dos espelhos” ) tem seus defensores ardorosos.
Um
pouco fora desse estilo, mas igualmente apocalíptico, é o interessante “A
menina que tinha dons”, de M. R. Carey, que é mais o estilo zumbis-sedentos-de-
sangue. A diferença está justamente na menina Melanie, que dá nome ao livro, e
na maneira criativa que Carey (roteirista conhecido de HQs como Lúcifer e
X-men) imprime à sua narrativa, fazendo da menina zumbi a heroína da trama. Foi
transformado em filme “Melanie, a última esperança (2016)”, com Glenn Close no
meio de um elenco praticamente desconhecido.
“Silo”,
de Hugh Howie, “Caixa de pássaros”, de Josh Malerman e “Aniquilação”, de Jeff
Vandermeer fazem a linha “depois-que-tudo-acabou-só- sobramos-nós” e também
encontram fãs inflamados, embora o livro de Vandermeer seja o mais criticado
entre os três, mesmo sendo apenas o primeiro volume de uma trilogia
(“Autoridade” e “Aceitação”). Virou
uma produção da Netflix com Natalie Portman, mas a reação foi tão fria quanto a
reservada ao livro.
Na
contramão de quase todos, “Vivian contra o apocalipse”, da estreante Katie
Coyle é para leitores mais refinados, embora possa ser acusado de ser um romance
adolescente disfarçado em uma banal distopia apocalíptica, não deixa de ter lá
seus atrativos. Também numa linha mais indireta temos o ótimo “A noite devorou
o mundo”, de Pit Agarmen (pseudônimo do escritor francês Martin Page).
Claro
que não se pode esquecer das obras referenciais de Max Brooks. Os seus “Guias
de sobrevivência a zumbis”, “O desfile da extinção” etc., embora não falem de
apocalipse em si, mas do que restou dos seres humanos depois de tudo, são obras
que inspiram muitas outras, como os gibis de “The walking dead” e séries de
terror de segunda classe.
Mas,
sendo zumbi ou não, a verdade é que escrever sobre o fim do mundo parece ser
uma ótima maneira de ganhar dinheiro e divertir os fãs das fantasias fatais.
Pelo menos até que algum vírus real acabe com tudo de verdade...
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