quarta-feira, 13 de maio de 2020

Apocalipse Now


           A pandemia de coronavírus está deixando muita gente curiosa para obras de cunho definitivo e, se existe uma temática atraente na literatura deste século é, sem dúvida, o apocalipse. Se for zumbi, então, nem se fala. De Stephen King a Justin Cronin, passando pelos estreantes M. R. Carey e Hugh Howie, muitas obras abordam as visões de fim de mundo que povoam as mentes mais criativas.
            A vontade de imaginar um fim ou um futuro distópico para o mundo não é obra exclusiva do século XXI. Começa bem antes com obras como o desconhecido “O último homem”, da mãe de Frankenstein, Mary Shelley.
Passa por “A máquina do tempo”, “Alimento dos deuses” e “O país dos cegos”, todos de um dos pais da literatura de ficção científica, H. G. Wells. 
Continua com “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley e “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury. Chegando, nos anos 60, a “Laranja mecânica”, de Anthony Burguess e “Planeta dos macacos”, de Pierre Boule.
            Mas, nunca se escreveu tanto sobre o fim dos tempos como agora... ou como nas duas últimas décadas. O mestre Stephen King contribuiu com “Dança da morte” e “Celular”, sendo o primeiro um dos mais volumosos trabalhos de King, com mais de 1300 páginas. Conta a história da dizimação do mundo como conhecemos por causa de um vírus letal, além da eterna disputa entre bem e mal no meio de todo o caos.
            Já “Celular” não foi muito bem recebido pelos fãs. Muitos alegaram que a metáfora dos males da tecnologia, concebida em cima de telefones móveis que transformam pessoas em loucos furiosos, era óbvia e rasa demais.
            Já “A passagem”, de Justin Cronin, tal qual “Dança da morte” é sobre algo que dá errado em experiências científicas que querem criar um super soldado. Para isso, doze condenados são usados como cobaias. A obra, que tem dois outros volumes (“Os Doze” e “A cidade dos espelhos” ) tem seus defensores ardorosos.
            Um pouco fora desse estilo, mas igualmente apocalíptico, é o interessante “A menina que tinha dons”, de M. R. Carey, que é mais o estilo zumbis-sedentos-de- sangue. A diferença está justamente na menina Melanie, que dá nome ao livro, e na maneira criativa que Carey (roteirista conhecido de HQs como Lúcifer e X-men) imprime à sua narrativa, fazendo da menina zumbi a heroína da trama. Foi transformado em filme “Melanie, a última esperança (2016)”, com Glenn Close no meio de um elenco praticamente desconhecido.
            “Silo”, de Hugh Howie, “Caixa de pássaros”, de Josh Malerman e “Aniquilação”, de Jeff Vandermeer fazem a linha “depois-que-tudo-acabou-só- sobramos-nós” e também encontram fãs inflamados, embora o livro de Vandermeer seja o mais criticado entre os três, mesmo sendo apenas o primeiro volume de uma trilogia
(“Autoridade” e “Aceitação”). Virou uma produção da Netflix com Natalie Portman, mas a reação foi tão fria quanto a reservada ao livro.
            Na contramão de quase todos, “Vivian contra o apocalipse”, da estreante Katie Coyle é para leitores mais refinados, embora possa ser acusado de ser um romance adolescente disfarçado em uma banal distopia apocalíptica, não deixa de ter lá seus atrativos. Também numa linha mais indireta temos o ótimo “A noite devorou o mundo”, de Pit Agarmen (pseudônimo do escritor francês Martin Page).
            Claro que não se pode esquecer das obras referenciais de Max Brooks. Os seus “Guias de sobrevivência a zumbis”, “O desfile da extinção” etc., embora não falem de apocalipse em si, mas do que restou dos seres humanos depois de tudo, são obras que inspiram muitas outras, como os gibis de “The walking dead” e séries de terror de segunda classe.
            Mas, sendo zumbi ou não, a verdade é que escrever sobre o fim do mundo parece ser uma ótima maneira de ganhar dinheiro e divertir os fãs das fantasias fatais. Pelo menos até que algum vírus real acabe com tudo de verdade...

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Páginas molhadas

O sexo sempre foi uma das coisas mais fascinantes para o ser humano e, ousaria dizer, continua sendo. Basta ver o quanto ainda discutimos ...