Sem
medo de errar, podemos dizer que um dos autores brasileiros menos conhecidos de
todos os tempos é o carioca Cornélio Penna (1896-1958). Escritor, pintor,
gravador e desenhista, Penna participou ativamente da segunda fase do
Modernismo no Brasil e pode ser tranquilamente considerado um dos pais do
chamado “realismo psicológico” na literatura.
Penna escreveu quatro livros (Fronteira (1935), Dois romances
de Nico Horta (1939), Repouso (1948) e A menina morta (1954)) e deixou um inacabado
(Alma Branca) ao falecer com 61 anos. Mas, nenhum alcançou a fama de sua
estranha menina.
“A menina morta” foi publicado 60 anos depois da abolição da escravatura
no Brasil, mas sua trama se passa ainda nos tempos do Segundo Império, nos
últimos tempos da escravidão. A atmosfera estranha que mistura regionalismos
com investigação psicológica, além dos capítulos enxutos, causou impacto, mas
por outros motivos que não a estética.
Uma fazenda de café no Grotão é o cenário do livro, que parte
da morte da filha mais nova de um dos senhores da fazenda. O fato termina por
colocar os personagens em conflito e acaba sendo mais uma discussão social em
torno da escravidão do que um romance propriamente dito.
Muitos estudos e teses já foram publicados sobre esse
mitológico livro pouco conhecido e muito menos lido, mas uma obra interessante
é “Favor e
melancolia”, de Simone Rossinetti Rufinoni (Nankin/Edusp, 2010).
Existe uma cópia digital do livro para o Kindle, mas a própria Amazon não está
mais comercializando-a. Um aviso diz que a cópia não é confiável!
Nos sebos é praticamente impossível de se encontrar e, quando
isso acontece, o preço não vale a pena. Resta aos que querem conhecer a obra-prima
de Cornélio Penna apenas paciência e torcer por uma reedição.
Nenhum comentário:
Postar um comentário