quarta-feira, 13 de maio de 2020

O estranho e curioso caso da Menina Morta


Sem medo de errar, podemos dizer que um dos autores brasileiros menos conhecidos de todos os tempos é o carioca Cornélio Penna (1896-1958). Escritor, pintor, gravador e desenhista, Penna participou ativamente da segunda fase do Modernismo no Brasil e pode ser tranquilamente considerado um dos pais do chamado “realismo psicológico” na literatura.
Penna escreveu quatro livros (Fronteira (1935), Dois romances de Nico Horta (1939), Repouso (1948) e A menina morta (1954)) e deixou um inacabado (Alma Branca) ao falecer com 61 anos. Mas, nenhum alcançou a fama de sua estranha menina.
“A menina morta” foi publicado 60 anos depois da abolição da escravatura no Brasil, mas sua trama se passa ainda nos tempos do Segundo Império, nos últimos tempos da escravidão. A atmosfera estranha que mistura regionalismos com investigação psicológica, além dos capítulos enxutos, causou impacto, mas por outros motivos que não a estética.
Uma fazenda de café no Grotão é o cenário do livro, que parte da morte da filha mais nova de um dos senhores da fazenda. O fato termina por colocar os personagens em conflito e acaba sendo mais uma discussão social em torno da escravidão do que um romance propriamente dito.
Muitos estudos e teses já foram publicados sobre esse mitológico livro pouco conhecido e muito menos lido, mas uma obra interessante é “Favor e melancolia”, de Simone Rossinetti Rufinoni (Nankin/Edusp, 2010). Existe uma cópia digital do livro para o Kindle, mas a própria Amazon não está mais comercializando-a. Um aviso diz que a cópia não é confiável!
Nos sebos é praticamente impossível de se encontrar e, quando isso acontece, o preço não vale a pena. Resta aos que querem conhecer a obra-prima de Cornélio Penna apenas paciência e torcer por uma reedição.  


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